julho 30, 2010

Gavetas e malas



Hoje tive um dia cheio, porém, proveitoso, repleto de pequenas vitórias, não minhas propriamente.
Visitei uma amiga, distribui sorrisos, apoiei com gestos e palavras de incentivo, aconselhei e fui aconselhada com a justa e divina sabedoria.
Recebi notícias de colegas distantes que após período de dificuldades, hoje começam a trilhar novos e ditosos caminhos.
A recuperação de um ente doente me alegrou.
Vi surpresa a força e esperança nos olhos daqueles que me cercam.
Ouvi músicas...E li...Talvez o mais bonito poema de Carlos Drumond que só um mestre, só um professor e ser humano iluminado, sem qualquer sombra de exagero, poderia  dedicar aos seus alunos, às crianças.
Finalmente, parei para pensar sobre esse dia tão peculiar...senti-me diante de um novo quadro, no qual as cores surgem mais vivas e alegres...
Foi como se em meio ao caos e desajustes, uma nova ordem estivesse surgindo, lenta, mas certa.
Comparo essas pequenas conquistas e promessas com gavetas e malas...Por que não? 
Cada conquista, cada perspectiva e plano compõem uma gaveta, uma mala, as quais vamos arrumando pouco a pouco, tentando encontrar uma ordem melhor.
Gavetas e malas que passamos a vida toda abrindo e fechando, tirando e colocando o necessário ou desnecessário.
Hoje eu vi essas pessoas organizando ou procurando organizar seus planos e caminhos...Repartindo, esperançosas com suas preciosas bagagens...encontrando o devido espaço, provavelmente inspiradas pela força divina, isso muito me alegrou
Ainda restou-me tempo para refletir diante das minhas gavetas e malas, nas quais estão depositados os maiores valores do mundo, minha crença em Deus, meu filho, minha família e meus amigos.
Notei que ainda faltam alguns tesouros. Não sei se terei tempo ainda nesta vida para completá-las, pois apesar de serem simples tesouros, quase não encontramos mais.
Uma coisa é certa, hoje fui feliz, pois as gavetas e malas que vi, tornaram mais ricas as minhas...
Parabéns a todos pelos esforços com suas gavetas e malas, especialmente a você Alexandre Alves.

Elen Carla 

Memórias...


Elen Carla 


O vento sopra
Sopram memórias, de vidas que foram embora
Eu te fiz esse poema

Pensando no agora e nos instantes de outrora


Aquelas lembranças manchadas em fotos tão antigas me levam até você...
E o vento continua soprando...
As lembranças permanecem agitando.

Os objetos também querem soprar.
Trazer de volta a luz do seu olhar
De repente a gente quer ficar
Dentro de um tempo que sabemos...Já não há

Mas em algum lugar
Onde ninguém possa imaginar
Tudo o que foi, parece se eternizar
Mesmo quando o vento insiste em nos arrastar...

maio 10, 2010

O que sempre fui

Mulher                                                   Di Cavalcanti
Eu nunca serei igual
por mais que me esforce
jamais serei como querem
por mais que tudo a minha volta 
me arraste , me leve 
eu sempre volto a ser o que sempre fui
não importa qual seja minha realidade nesse momento
por mais que ande por essas ruas
por esses lugares onde tudo é igual
eu não serei


Posso estar presa a convenções
posso seguir as regras 
mas ainda assim ...
eu não sou e não serei
essa pintura 
essa peça que alguém modelou
não me curvarei à vontade e convenções
por mais que pareça 
por mais que meus ombros estejam curvados 
e cansados do peso depositado


Você não me entendeu
Nunca alcançará a minha imensidão
nunca poderá compreender 
escaparei sempre ao seu entendimento


Tentei te alcançar
quando na verdade 
é você que não pode me atingir


A verdade é que sempre estarei fora do seu entendimento
não sou melhor que você
mas sempre estarei fora do seu universo tão particular
porque ele não pode me compreender.


Elen Carla Soares

maio 09, 2010

abril 21, 2010

Desenho com pimenta e humor

As charges , cartuns, quadrinhos e  ilustrações fazem parte de um importante mecanismo de comunicação que vai muito além do entretenimento.
Rir é bom, e não vamos nos privar desse prazer, não vamos perder a oportunidade de fazer piadas.
Contudo, vamos acabar com essa história de que o povo se contenta com circo e pão.
O humor nos desenhos provoca muito mais que gargalhadas, provoca a consciência e o senso crítico.
A criatividade e o mais curioso, o humor, tornam possível a transmissão de idéias e valores.
Explícita ou implícita, apimentada ou moderada, atinge seu alvo. Basta um lápis, um bico de pena, apontados para o papel e para o mundo, e as coisas adquirem outro contorno, aquele que quase sempre se tentou esconder.
Passado e presente sempre estiveram bem representados pelos recursos iconográficos. Atentos e perspicazes em seus traços e críticas, lutaram e continuam lutando por liberdade de expressão e justiça social.
Politicamente, vivemos um período no qual direita e esquerda se confundem, as regras não são claras, no entanto, a luta pela manutenção dos interesses de uma minoria é a mesma de sempre.
Às vezes, fica a impressão de que as lutas foram em vão.
As charges de ontem, as caricaturas , os personagens e seus criadores precisam ser lembradas hoje, porque o "hoje"  pede uma definição do tempo em que vivemos. sua importância merece ser resgatada.
Hoje, esse recurso busca uma orientação, aguarda talvez um espaço mais aberto. 

janeiro 01, 2010

Panela de pressão

Política crua
Panela de feijão
Moleque e pé no chão
Caviar no prato fino
Panela de pressão
Esquenta a confusão
Vai dar feijão queimado
No prato do patrão